sexta-feira, 16 de agosto de 2013

1972: nasce o primeiro console de videogame




Depois de mudar a cara do Brown Box, melhorar alguns recursos e inventar outros, finalmente Ralph Baer e a Magnavox decidem lançar o Odyssey (modelo 1TL200BLAK RUN1), em março de 1972. Ele é considerado o primeiro console de videogame do mundo. Imagine só a maravilha: o aparelho só gerava dois quadrados controlados por jogadores. Um quadradinho era a bola e o outro era o jogador. Havia variações, mas, essencialmente, os jogos não passavam disso. Por dentro, o Odyssey não tinha processador, memória ou circuito integrado. Por isso mesmo que ele não tinha som e só apresentava imagens em preto e branco. Com tamanha limitação, ele era incapaz, inclusive, de gerar um placar ou um ambiente gráfico detalhado.


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Então como era possível se divertir com ele? Simples! Junto com o Odyssey, vinham cartões de anotação de pontos, dados, fichas, dinheiro de mentirinha e, principalmente, os overlays. Estes últimos eram telas plásticas coloridas que se encaixavam no tubo da TV para dar a impressão do ambiente. Para simular o jogo de tênis, por exemplo, bastava colocar o overlay verde com o desenho de uma quadra na TV e sair movendo o ponto luminoso, que fazia o papel de bolinha.
Para jogar, era preciso encaixar o game card no conector. Embora parecesse, ele não podia ter status de cartucho, uma vez que não continha qualquer programação. Ele tinha a função apenas de combinar os circuitos de modo a gerar um dos jogos. Cada game card permitia gerar um desses jogos.


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Para jogar, o Odyssey trazia dois controles. Cada um era composto por dois botões giratórios laterais e mais um botão de reset em cima. Outra forma de jogar era usando um rifle próprio para o jogo de tiros. Ele emitia sinais luminosos sobre o overlay e, caso o jogador acertasse o alvo ou um pato, por exemplo, bastava anotar na ficha de papel sua pontuação.


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Com todas suas limitações, o Odyssey até foi um sucesso para a época. Mesmo com um preço alto para a realidade, cerca de 100 dólares, estima-se que foram vendidos 100 mil aparelhos e cerca de 20 mil rifles.

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E só não foi melhor por culpa da Magnavox. Mesmo baixando o preço para 75 dólares pouco depois, o fato é que a empresa estava mais preocupada em vender TVs do que sua própria criação. Por isso, ela fez uma campanha de marketing que dava a entender que o Odyssey só funcionaria numa televisão de sua marca. O resultado é que consumidores potenciais, que já tinham uma TV de outra marca em casa e só queriam comprar o videogame, acabaram deixando pra lá por simples falta de conhecimento.
 
 
Legenda: Neste vídeo de 5 minutos, a Magnavox mostrava como instalar, utilizar e jogar o Odyssey
 
Novas versões do Odyssey foram lançadas nos anos seguintes e, embora não tenham feito o mesmo sucesso de seus concorrentes, serviram como exemplo de que, para se dar bem no mercado do entretenimento doméstico, era preciso profissionalismo, agressividade e investimento. E por falar em concorrência, em 1972, numa apresentação da Magnavox sobre o Odyssey, uma das pessoas no auditório era Nolan Bushnell, que mais tarde criaria a Atari.
O Magnavox Odyssey deixou de ser fabricado em 1975. O console foi vendido em outros países também. Na Alemanha, ele foi licenciado para a ITT Schaub-Lorenz, que o lançou com o nome Odysee. Também na Europa surgiu um clone não autorizado, chamado Overkal. Ele era praticamente idêntico ao Odyssey, com a diferença que ganhou botões na parte da frente.

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Legenda: Versão “genérica” do Odyssey, o Panoramic Telematch foi lançado na Argentina
 
Aqui na América do Sul, mais especificamente na Argentina, o Odyssey também ganhou um irmão bastardo, não autorizado pela Magnavox. Batizado de Telematch, este videogame, fabricado pela Panoramic, tinha visual bem diferente do modelo original, mas os controles denunciavam a pirataria. Diferente do modelo americano, ele não trazia os layers, tabuleiros, peças e nem mesmo os placas de circuito dos jogos. Eles eram acionados apenas usando os botões do console.
 
Odyssey no Brasil

Muitos brasileiros conhecem o Odyssey somente como o aparelho da Philips que foi lançado em 1983. Mas isto é um engano! Na verdade, aquele aparelho prateado com teclado foi um clone autorizado do Odyssey 2, lançado pela Magnavox nos Estados Unidos (veja em Odyssey 2).
O pessoal da Philips brasileira achou que seria estranho entrar com uma segunda versão de um aparelho que jamais teve uma primeira por aqui.
 
Só que a avaliação foi errada! Muitos anos antes, a Planil Comércio e Indústria Eletrônica Ltda, uma empresa do Rio de Janeiro, importou o hardware do Odyssey, traduziu para o Português as informações da caixa, manual, dos plásticos transparentes, dinheiro e peças.
Obviamente, como este é um item raríssimo nos dias de hoje, as vendas provavelmente não foram boas, a ponto da representante da Magnavox no país, a Philips, ter se enganado dessa forma. Quem tiver guardada a primeira versão do Odyssey traduzido, pode ter certeza que tem um produto bem caro nas mãos.

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